O Pilates e as dores musculoesqueléticas crônicas

A dor é definida pela IASP (International Association for the Study of Pain) como uma experiência sensitiva e emocional desagradável associada ou relacionada a lesão real ou potencial dos tecidos.

Quando aguda, serve de sinal de alerta e normalmente está relacionada a processos inflamatórios, infecciosos e traumas. A dor permite que o indivíduo perceba que algo não vai bem e busque ajuda especializada.

Em muitos casos, no entanto, a dor passa a ser crônica, ou seja, tem uma duração prolongada, geralmente de mais de seis meses, podendo durar anos.

Neste caso, a dor passou de um sinal de alerta para um processo mais complexo relacionado a doenças crônicas (como a atrite reumatóide e outras doenças reumáticas crônicas, por exemplo) ou a desorganizações posturais e esforços repetitivos prolongados.

Com relação ao sistema musculoesquelético, as dores nas costas, na região lombar e cervical, as dores de cabeça tensionais, as dores nas regiões de ombros e escápulas e as dores decorrentes da osteoartrose, são as vencedoras de queixas nos consultórios.

As dores crônicas podem atingir de 10 a 40% da população de um país, levando muitos destes indivíduos ao afastamento permanente de suas atividades profissionais.

O exercício físico vem sendo apresentado por diversos estudos como forma de tratamento para estes processos crônicos. O Pilates vem sendo cada vez mais recomendado por médicos e procurado por pessoas com dor. De fato, pela experiência, posso dizer que a melhora é significativa.

No entanto, nós fisioterapeutas nos deparamos com um grande desafio. Como iniciar os exercícios, se o corpo dói ao se exercitar? Como convencer o portador de dor crônica, que o exercício fará bem para o seu caso?

Como já comentado em posts anteriores, a escolha do profissional e do local para a realização do Pilates, bem como definir se o trabalho deve ser individual ou em pequenos grupos, é o primeiro passo.

Como profissionais, devemos realizar um primeiro encontro com este futuro aluno de Pilates para que possamos auxiliá-lo nesta decisão e compreender o processo de dor. A partir daí, podemos identificar alterações mecânicas e posturais relacionadas com a queixa dolorosa, presença de contraturas musculares, sinais de inflamação, músculos enfraquecidos e encurtados. Observamos também o aspecto emocional do paciente, sua disposição e disponibilidade para o tratamento e para iniciar um processo de mudança.

Neste momento, temos condição de traçar um plano de “tratamento”, que poderá ser executado, mesmo que o trabalho seja feito em grupo. Digo tratamento entre aspas, justamente porque muitas vezes existe uma necessidade de se desmistificar esta dor e permitir ao corpo experiências corporais das quais muitos pacientes foram privados durante anos, devido às proibições médicas e pela falta de evidências de que o exercício seria algo benéfico. Muitos indivíduos têm medo de sentir dor e evitam movimentar-se antes mesmo que a dor apareça.

O Pilates deve ser encarado como um processo individual, onde cada um levará o tempo necessário para conseguir realizar os exercícios. O fisioterapeuta deverá construir os movimentos e adaptá-los de acordo com a condição do aluno.

A dor deverá ser observada e analisada durante este processo. Em alguns momentos esta dor pode representar uma adaptação ao exercício ou resultante do alongamento muscular. Neste caso, o fisioterapeuta irá analisar se deve diminuir a intensidade ou número de repetições ou simplesmente tranqüilizar seu aluno e explicá-lo a origem da dor.

Portanto, a solução para o processo de melhora de uma dor crônica demanda muita paciência e dedicação. A dor pode eventualmente aparecer, mas deve ser apenas uma conseqüência desta mudança corporal, ou seja, uma resposta fisiológica muscular ao trabalho de alongamento de uma musculatura encurtada e do fortalecimento de uma musculatura enfraquecida.

Em hipótese alguma a atividade física deve exacerbar um processo doloroso pré-existente.

Devemos tomar cuidado apenas para não nos tornarmos zelosos demais e privar nossos alunos de movimentos difíceis, mas extremamente necessários ao seu progresso. O desafio é importante e deve ser ajustado ao aluno para não gerar excesso de frustração e desistência.

Alunos e instrutores devem ser parceiros neste processo. O Pilates é uma ferramenta poderosa no combate à dor crônica.

Se você também sente dor, que tal experimentar?

Perceba-se!

Ft. Karina Santaella

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