Escoliose Idiopática do Adolescente: entendendo um pouco mais este tipo de escoliose.

what_is_scoliosis[1]Como dito em outro texto deste blog sobre escoliose, a coluna vertebral é uma estrutura complexa, com funções como mobilidade, sustentação do peso corporal e proteção da medula espinhal e que para manter se equilibrada e eficiente precisa apresentar curvas fisiológicas.

Estas curvas numa coluna ideal, na vista lateral, devem ser: lordose cervical, cifose dorsal e lordose lombar. Já na vista posterior, a coluna ideal deve estar alinhada, com os dois lados uniformes e simétricos.

Qualquer alteração nestas curvas pode desencadear problemas musculoesqueléticos. Se as curvas lombar e cervical estão aumentadas, chamamos hiperlordose; se a dorsal está aumentada, chamamos hipercifose e se estas estão diminuídas, chamamos retificação. Agora, se na vista posterior houver algum desvio lateral, chamamos escoliose.

A escoliose pode ser falsa (postura escoliótica), quando há o desvio lateral não estrutural ou sem rotação de vértebra, comum quando o indivíduo está com dor lombar e desloca o tronco para o lado oposto da dor, compensando o desconforto.

Ou pode ser verdadeira onde há um desvio lateral estrutural da coluna, com presença ou não de má formação vertebral, com ou sem rotação das mesmas no plano sagital, que pode ocorrer em um ou mais seguimentos da coluna, mas hoje vamos falar da Escoliose Idiopática do Adolescente.

Por definição é uma curvatura lateral da coluna do adolescente saudável, com causa desconhecida, onde não se verifica a presença de alterações neurológicas, musculares ou outras afecções importantes, pelo menos no que diz respeito a evidências de suas correlações com a causa da escoliose. Na radiografia não se observa anormalidades vertebrais.

A incidência é maior no sexo feminino, embora também possa ser encontrada no sexo masculino (3×1). O desvio lateral da coluna aparece por volta dos 10 anos de idade, quando geralmente inicia-se a puberdade, podendo evoluir até o final do crescimento (geralmente 2 anos após a primeira menstruação). O padrão mais comum de curva encontrado é o torácico, estendendo-se das vértebras T5 à T12, de convexidade direita. Na vista lateral, a coluna torácica geralmente se apresenta com cifose diminuída ou com retificação dorsal.

O diagnóstico é feito por meio de avaliação clínica, com a paciente na posição ereta, onde se observa alterações nas alturas dos ombros, mamilos e cintura. Na região da cintura, o espaço entre o braço e o tronco pode estar maior de um lado do que de outro – triângulo de Tales. Com um fio de prumo pode-se verificar se a coluna inclinada não está compensada. E para verificar a flexibilidade da coluna vertebral, pede-se para a paciente inclinar o tronco para um lado e para o outro.

Physical_Findings[1]Pedindo para a paciente flexionar a coluna à frente (roda de bicicleta), pode-se verifica o grau de encurtamento da musculatura posterior (comum nestes casos), se há ou não presença de gibosidade, que é o aumento de um dos lados da coluna relacionado com o componente rotacional.

Este diagnóstico é confirmado pela radiografia, onde ainda se pode verificar a angulação deste desvio (por meio do Método de Cobb), a retificação dorsal, a flexibilidade da coluna e se há anomalias em vértebras etc.AIS_x-rays[1]

O diagnóstico diferencial é muito importante para que o melhor tratamento seja realizado. Portanto, procurar um médico assim que a primeira assimetria for verificada, é de fundamental importância.

A severidade da doença varia de caso a caso, necessitando de avaliação periódica para observação do desenvolvimento da mesma, pois está relacionada com a angulação da curva, seu componente rotacional e a velocidade de sua progressão..

Se o ângulo de Cobb for igual ou menor que 10o a coluna é considerada assimétrica – não escoliose.

As meninas que apresentam curvas entre 10o a 25o e que estão ainda em crescimento ou que tenham curvas abaixo de 45o, mas já fecharam o crescimento ósseo, necessitam de observação periódica e os tratamentos fisioterápicos são indicados.

Quando o ângulo encontra-se entre 25o e 45o é indicado o uso de colete corretor. Importante saber que este colete não promete cura e sim, procura conter a evolução da curva. Portanto deve ser usado por 20h – 22h por dia durante o crescimento ósseo.AIS_boston_brace[1]

As meninas com curvas acima de 45o acabam se beneficiando de procedimentos cirúrgicos, que procuram diminuir o desvio lateral e não o componente rotacional.

As técnicas fisioterápicas não apresentam comprovação científica, mas os relatos de pacientes e a experiência clínica demostram benefícios, especialmente com a técnica de Reeducação Postural Global (RPG), Quiropraxia, Pilates e Yoga. Alguns médicos indicam também o balet como um bom exercício físico. Importante salientar que nestes casos os benefícios são: alongamento da musculatura encurtada (geralmente posterior do corpo), treino de consciência postural, fortalecimento da musculatura enfraquecida e treino respiratório.

A fisioterapia pode ser feita mesmo concomitante ao uso do colete corretor e após o procedimento cirúrgico.

Se este for seu caso ou de sua filha, procure um especialista!

Perceba-se!

Ft. Ana Paula Pessanha

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