Crossfit: superação de limites ou exagero?

crossfit-girl-beerVenho observando há pouco mais de uma ano, o crescimento de uma modalidade que até então era totalmente desconhecida da grande maioria.

Uma grande amiga, educadora física, professora de dança, me falava sobre o Crossfit, sua nova modalidade e sobre o prazer em alcançar os objetivos propostos nas aulas, na superação de seus próprios limites e nas mudanças corporais (leia-se funcionais e não apenas estéticas) adquiridas com seu novo estilo de vida.

Assim como aconteceu com diversas outras modalidades, até mesmo com o Pilates, o número de estabelecimentos e praticantes de Crossfit aumentou significativamente. Estima-se que haja cerca de 20000 praticantes no Brasil, segundo reportagem recente da Revista Veja (fev/2014).

Mas afinal o que é o Crossfit? E porque a moda pegou?

É uma técnica ou modalidade desenvolvida pelo treinador Greg Glassman, ao longo de várias décadas e que tem por objetivo atingir uma ampla aptidão física, que prepare o indivíduo para qualquer desafio físico. Para isso, o treinador pensou na mescla de vários esportes, tirando o máximo de aproveitamento de cada um deles, o que tornaria seu praticante preparado para qualquer um deles. Segundo as palavras de Glassman o objetivo era o de “aumentar a capacidade de trabalho ao longo do tempo de de vários modos” e para isso “utiliza movimentos funcionais variados em intensidade relativamente alta”. O ambiente geralmente é rústico, instalado em grandes galpões assemelhando-se a treinamentos militares.

A moda pegou porque o ser humano busca o tempo todo superar os seus limites e procura novas maneiras de se exercitar para vencer a monotonia.

Não posso deixar de comentar no entanto, que o comportamentos dos crossfitters, como se denominam, gera certo estranhamento e levanta alguns questionamentos quanto aos exageros e a falta de cuidado que pode levar à lesões e prejuízos à saúde: pessoas correndo carregando pesos debaixo de um sol de quase 40°, correndo em calçadas esburacadas e no meio dos carros, e até mesmo relatos de pessoas que vomitam ao atingir o limite de sua resistência física.

O alerta que fica é que deve-se tomar muito cuidado com essa superação de limites. O limite de uma pessoa é completamente diferente da outra e portanto o treinamento deve ser individualizado. Utilizar o desafio como motivação é interessante, no entanto não pode haver irresponsabilidade.

A promessa de queima calórica e boa forma física faz atrai muitos praticantes, muitas vezes inaptos para tal prática. Deve-se estar atento à formação do treinador, à regularidade no treinamento e às suas limitações físicas como condição cardiovascular e problemas articulares por exemplo.

Como qualquer atividade física, um exercício mal executado ou mal prescrito pode trazer consequências negativas.

Já começam surgir nos consultórios de fisioterapia, pessoas com lesões geradas pela prática do Crossfit.

Alterações posturais e desequilíbrios biomecânicos contra-indicam a execução de diversos movimentos (que não estão presentes apenas no Crossfit). Tais movimentos devem ser primeiramente reeducados para que, somente após a melhora da percepção corporal, possam ser executados com segurança.

O surgimento de uma lesão obriga o indivíduo a interromper a prática da atividade e muitas vezes isso acontece por imprudência do próprio aluno.

A melhora da aptidão virá degrau por degrau, não dará saltos. Não existe milagre.

Respeite seu corpo e fique atento aos sinais de alerta. Perceba-se!

Ft. Karina Santaella / Crefito-3/17051

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