Correção da mecânica da corrida – o que você acha disso?

is[6]Quando estou correndo costumo observar as posturas dos outros corredores, suas expressões, movimentos de braços e pernas e os sons de suas passadas. Alguns têm um estilo que dá gosto de ver de tão natural que parece, são leves, com movimentos fluentes e harmoniosos. Já outros, minha vontade é de corrigi-los, chamá-los atenção para algum detalhe, coisas assim… Coisa de fisioterapeuta não é mesmo?

Mas será que estas correções da mecânica da corrida são boas? Ou será que o melhor é deixar que cada um encontre naturalmente seu jeito de correr, já que esta é uma atividade natural para o ser humano?

Este tema é bastante controverso, com defensores fervorosos de ambos os lados e nada muito comprovado cientificamente ainda.

A tecnologia dos tecidos, estruturas dos tênis são alguns exemplos de ajustes externos para ajudar nesta modificação da mecânica. Assim como procurar movimentar os braços levemente flexionados para frente e para trás para melhor impulsionar o corpo em deslocamento. Estes são alguns recursos utilizados por quem defende a alteração da mecânica para evitar lesões e/ou melhorar o desempenho nas corridas.

Por outro lado, há os que defendem o uso de tênis minimalistas ou até mesmo a corrida descalça, alegando que antigamente não havia tantos casos de lesões como hoje, por exemplo.

Para apimentar ainda mais esta discussão, vou contar o caso de uma amiga maratonista, que sempre levou muito a sério todos os seus treinos, seguiu a risca as orientações dos professores, fisioterapeutas e nutricionistas que a acompanharam, exceção feita apenas aos alongamentos do final dos treinos que ela sempre pulava. Após suas primeiras maratonas começou a sentir dores no quadril, fez fisioterapia, acupuntura, massagem etc. Mas nada com grande sucesso. As dores iam e vinham, às vezes mais fortes, outras mais leves, mas ela ia levando.

Este ano resolveu correr a maratona sem dor e para isso procurou uma colega que a orientou a modificar a mecânica da corrida. Fez um exame minucioso com ela e colocou em prática todas as suas orientações. Inicialmente ela ficou feliz, pois as dores do quadril haviam diminuído, mas qual foi a sua surpresa? De repente surgiu uma dor nova na sola do pé, que a fez questionar estas mudanças todas de estilo. Hoje ela embarcou para a sua maratona e nos últimos treinos tinha voltado ao seu jeito natural de correr. Que sua prova seja um sucesso e sem dor!!!

Bom, como vocês podem perceber, este tema continua sendo controverso. Em minha opinião, o melhor caminho é o do bom senso!

Se o corredor apresenta uma mecânica de corrida que o está machucando, algumas modificações se farão necessárias, como: o uso de uma palmilha feita sobre medida, a escolha adequado do tênis (considerando o tipo de corrida, peso do corredor), projeção do tronco levemente à frente ou movimentos adequados dos braços. Porém estas modificações precisarão ser feitas de maneira gradativa e lenta, dando tempo do corpo se adaptar a elas. Pois correção demais também pode causar desconforto e dor, uma vez que se começa exigir de partes do corpo que anteriormente não estavam trabalhando adequadamente.

Afinal, não se deve esperar que todos tenham uma postura igual a do Usain Bolt, nem que todos usem o mesmo tipo de tênis e façam as mesmas correções. A individualidade deve ser preservada, sem dúvida. A corrida deve ser o mais natural possível!

Perceba-se!

Ft. Ana Paula Pessanha

Crefito 3/ 16.358 – F

 

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