Relato de um caso

th[1]Esta semana me deparei com uma situação de trabalho bastante comum e gostaria de dividir minhas considerações com vocês.

Sou fisioterapeuta há mais de vinte anos e sempre atendi problemas de dores lombares, utilizando técnicas específicas, como o RPG, o Pilates, além de recursos terapêuticos como massoterapia, eletrotermoterapia, exercícios específicos etc.

Recentemente recebi em meu consultório um paciente que se queixava de dor lombar tipicamente mecânica. Em seu relato disse que as dores se iniciaram após exercício físico abdominal realizado com supervisão de um educador físico cuidadoso. Após avalia-lo, pude observar algumas alterações posturais, como uma leve hiperlordose (a curvatura lombar acentuada). Também notei a musculatura abdominal mais fraca enquanto que a musculatura posterior de tronco estava contraída. Isso por si só já justificava a queixa de dor dele e assim iniciamos o tratamento, visando à diminuição da queixa de dor e reorganização muscular.

Pude perceber que o movimento abdominal que desencadeou a crise de dor estava sendo executado de forma errada. Assim, trabalhamos para que esta correção fosse aprendida por ele, o que aconteceu com certa facilidade.

Ao fim de dez sessões de fisioterapia, a dor já tinha diminuído bastante, porém ainda não tinha se extinguido. Continuamos o tratamento, que o paciente vinha fazendo a sua melhor maneira, levando muito a sério cada orientação, nunca faltando, prestando atenção durante a execução de cada movimento etc.

A força muscular foi recuperada, o encurtamento cedeu, a postura melhorou, a consciência do movimento estava adequada, mas…

Mas esta melhora física NÃO correspondeu à melhora total da dor! Ele vinha fazendo TUDO certo, com cuidado, gradativamente e mesmo assim a dor persistia!

Quanta frustração! Para ele! Para mim!

Conversamos muito e chegamos à conclusão que a queixa de dor lombar dele não era exclusivamente mecânica, mas que, apresentava um componente psicológico importante. Ele vinha passando por um momento difícil na vida profissional, estava com dificuldades de dormir, sempre muito tenso!

Tinha conseguido perceber as limitações físicas, mas não relacionara isso aos fatores emocionais. Uma vez abordada a questão psicológica, ficou evidente que um olhar mais atento e cuidadoso a esta faceta seria fundamental para sua completa reabilitação!

Assim, ele foi orientado a procurar novamente o médico novamente para reavaliar as causas das dores, e uma vez excluído outras doenças, iniciar um tratamento psicológico para ajuda-lo a suportar as situações de vida as quais ele estava sendo submetido.

Na parte física ele vai continuar fazendo exercício físico orientado, para evitar futuras crises de dor, vai procurar aumentar seus desafios gradativamente, mas sempre com muita atenção na execução do movimento.

Uma dor física muitas vezes acarreta uma dor emocional e ambas precisam ser tratadas!

Fique atento! Perceba-se!

Ft. Ana Paula Pessanha

Crefito 3/ 16.358 – F

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